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Tudo era em torno à mesa. As taças lapidadas, Jaziam pelo chão em rígidos pedaços, E os olhos sensuais dos cortesãos devassos Beijavam a tremer os seios das amadas. As matronas gentis de faces descoradas Desenhavam, à luz dos candeeiros baços, Dos peitos seminus os contornados traços Mexendo, febris, nas rendas perfumadas. Adormecera a turba. Um pajem, entretanto, ficara silencioso, acabrunhado, a um canto, quem sabe se a pensar na mãe que ali não tinha. E ao convencer-se, enfim, de que dormia tudo, atravessando a sala, entristecido e mudo, pos um beijo febril nos lábios da rainha. (Eduardo Coimbra) |
mardi Vocês já viram uma borboleta azul no meio do dia? Ela nao chora o tempo em que foi lagarta e pouco amada, nem pensa em sobreviver, vencer, conquistar, brigar, se fazer amar; apenas bate as asas e confia no vento bom, pois tudo está ganho em ser finalmente ela mesma! A vida dela dura apenas um dia, mas é feliz e plena pois sabe ser leve! lundi Cotidianamente, o acaso nos faz lembrar de que nao somos deuses! Afinal, o acaso e o proprio movimento da divindade. Movimento a que todos somos sujeitos. No entanto, existe uma poesia inebriante no desfrutar do inesperado! Como desfrutar de um banho de chuva instantânea de verão numa cachoeira. Podemos ainda brincar de sermos deuses improvisando um pouco a vida. Mas para isso e preciso confiar no futuro como um deus e, acima de tudo, ser capaz de domar o poder dessa brincadeira, como um músico que, para improvisar bem, precisa conhecer profundamente o tema e harmonia da música. Improvisando eu poderia desejar um amigo querido e dizer: “Você esta tao desejável que eu poderia morder seus labios?” Seriamos capazes apreciar nosso beijo provável? So saberíamos a resposta se fossemos capazes do improviso... dimanche Nao quero mais falar do mundo das coisas, do mundo diarista! Estou aqui para o mundo dos gostos e dos cheiros. Ofereçam-me uma textura e um calice para que eu me derrame! Nao esperem! Nao pressintam! Sintam e me usem! Para que eu possa me ver em voces! Um seu oraculo em nos! A um futuro provavel: O mar... Este pode ser calmo naquela praia rasa, onde se estendem cintilaçoes de pequenos sois de vidro e frutos maritimos. La, o som é apenas um sussurro de areias e aguas preguiçosas, ventos penteando coqueiros, passaros, passos pensativos e estalos de paz. O mar! Este pode ser êxtase, e choque, e espasmos entre os rochedos! Luta sem armisticios provaveis! La, o som é um grito de mil palavras indiziveis, uma suplica por um descanso que se adia em cada gesto, em cada carícia de agua em seu movimento inexoravel! Estas aguas salgadas ja nao calam em mim; ja nao posso ver o fundo! O rochedo pôs um fim a toda a quietude! Minhas ondas ja nao espraiam! Batem, pendem, abandonam, escorrem e retornam ante a tirania de meu amante de rocha! Negro, rasgando o céu, impavido em sua resistência que nos torna vibrantes! Um diapasao de todos os ruidos! Minha resposta é o choque! Sinta o choque! Agora! Sinta! Estou a?! Sei que você ainda pode sentir o embate de meu fluxo em teu corpo! Eterno... Eternamente... Escorrendo em seu umbigo, Em suas coxas, em seus labios... Eterno como sao, dentro de nos, A textura da rocha polida e o cheiro umido do Mar. Estou de volta? Nao sei se devo.... Se ainda nao estou em grito, permitam-me um sussurro! assim: flores fluem sem fantasmas... samedi Bethânia.... Sempre ela! De todas as maneiras. De todas as maneiras Que há de amar Nós já nos amamos Com todas as palavras Feitas para sagrar Já nos cortamos. Agora já passa da hora Está lindo lá fora Larga minha mão! Solta as unhas do meu coração! Ele está apressado E desanda a bater desvairado Quando entra o verão. dimanche “Vocês não sabem amar! Eu fui homem de muitas mulheres e todas elas bem amadas! Que mundo é esse, hoje em dia? É um troca troca sem fim e todo mundo está insatisfeito. Vocês não sabem amar!” Cabloco Pena Branca lundi Passei o fim de semana assintindo ao "Queer as Folk"! O que é aquilo? Que visão mais cruel do mundo gay! Se aquilo é ser gay, eu estou fora! Parece um manual de como ter um QI emocional baixo! Medo! Queria escrever algo bonito... Que fosse de improviso como esses arrepios que ocorrem sem a gente saber o porquê. Mas não vem nada.... Então melhor ficar calado! dimanche Motivação zero para escrever, mas vou tentar voltar... Não pretendo ser tão constante quanto antes e, sim, voltar apenas quanto sentir uma razão maior. Sei lá que tipo de razão seria essa. De qualquer forma isso não importa. Chega de tanto conceitos bem arranjados. Simbora usar esse espaço para o desarranjo mental. Talvez isso seja útil para criar uma nova ordem. Hoje, dia de páscoa, descobri que mais um dos meus ex é filho de Tao Amim!!!! Ai, ai que eu posso fazer se eles são deeeeeeeeeliciosos? Eu quero é mais! |